
Ei. Fique longe do desânimo.
De preferência não deixe nem que se aproxime, menos ainda deixá-lo montar acampamento na sua intimidade, influenciando pensamentos, sentimentos e emoções.
Saiba que o desânimo é um dos grandes terroristas internos, que sequestra o seu melhor e faz de você refém… e não deseja resgate. Quer domínio mental e físico. Alimenta-se de suas forças, exaurindo-as por completo, se você assim permitir.
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Sim, há dias em que temos a impressão de estarmos carregando um fardo mais pesado do que as próprias forças.
O desânimo ameaça-nos de maneira perversa e, por mais procuremos fugir do seu envolvimento, tudo conspira para que não o consigamos.
O que estaria se passando?
Seria, por acaso, um surto de distimia?
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A distimia, também chamada de doença do mau humor, é um tipo de depressão crônica onde o indivíduo apresenta sintomas de depressão leve na maior parte dos dias, por tempo continuado.
São sinais e sintomas de distimia: mau humor frequente; excesso de críticas; angústia; ansiedade; inquietação; insatisfação; irritabilidade; falta de apetite ou apetite em excesso; falta de energia ou fadiga; sentimento de falta de esperança; isolamento social.
Só no Brasil existem cerca de 5 milhões de pessoas que sofrem desse mal, de acordo com a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA).
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Procuramos a causa do mal-estar, do fenômeno perturbador e não logramos identificá-lo.
Recordamo-nos de termos ido dormir com um excelente humor e, nada obstante, ao despertar, os sintomas desagradáveis apareceram.
Tudo quanto antes era alegria, repentinamente perdeu o encanto.
Programas que produziam adrenalina estimulante, não mais proporcionam qualquer emoção de prazer.
Falsa necessidade de repouso constante, como que um grande cansaço, toma-nos todo o corpo.
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O desânimo, qual ocorre com o cansaço, pode ser resultado de vários fatores: enfermidade orgânica, gerando perda de energia e, por consequência, de entusiasmo pela vida; estresse decorrente de agitação ou de tensões continuadas; frustrações profundas que retiraram a máscara de como eram considerados os objetivos acalentados, deixando a pessoa diante do vazio existencial; impossibilidade de assimilar e reter as alterações impostas pelo curso dos acontecimentos, produzindo um choque entre o intelecto e a emoção, além de outros.
Quando o organismo se debilita, seja qual for a causa – enfermidade, estresse, frustração – as resistências psicológicas diminuem, dando curso à manifestação do desânimo, que se expressa em forma de cansaço e desinteresse por tudo quanto cerca o indivíduo, mesmo aquilo que antes era uma fonte de entusiasmo e fortalecimento.
Toda vez que uma descarga elétrica ultrapassa a capacidade de condução de seus filamentos, os mesmos sofrem desintegração, “queimam”. De forma semelhante, os estados estressantes continuados terminam por perturbar o fluxo da energia vitalizadora pelo nosso corpo/mente, impedindo a produção de enzimas específicas para o equilíbrio psicofísico, facultando o surgimento do desânimo.
O desânimo é inimigo sutil do ser humano. Instala-se a pouco e pouco, terminando por vencer as resistências morais, que se sentem desestimuladas por falta de suporte emocional para a luta, falta de objetivos mais realizadores, falta de melhor identidade com superior razão de existir.
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Quando assim você se encontre, de imediato reaja, porque não é o seu estado natural, portanto, algo de errado está acontecendo, e, antes que se agrave, procure solucionar.
Cuide de banhar-se e movimente-se, realizando qualquer atividade de natureza física, afim de auxiliar a libertação dessas energias amolentadoras que se encaixam no cérebro.
Assim que se sinta melhor, leia uma página edificante, assista um bom filme, dê um passeio num parque, respire profunda e demoradamente, e procure manter o pensamento na faixa do equilíbrio, do saudável, do Bem. A simples mudança de rotina pode contribuir para o espairecimento. A busca de novos desafios na vida, como aprender uma língua estrangeira, um curso para qualificação profissional, o exercício de uma aptidão, como pintura, por exemplo, é bem-vinda. Atividade de assistência social, visita a hospitais, a asilos e abrigos, é de grande valia. O engajamento em prática religiosa de sua preferência, é excelente terapia na renovação mental, além de ser preventivo.
Não se permita ficar com a mente turvada pelos desalinhos emocionais perniciosos.
Vencer o desânimo e o cansaço, quando quer que se apresentem, decorrentes de qualquer fator, é o investimento que deve ser feito imediatamente, de forma que a busca do bem-estar e uma vida harmônica não sofra solução de continuidade, ou adiamento para ocasião não definida, que pode resultar em nenhuma futura tentativa.
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Em uma sociedade injusta, que é fruto amargo da cultura materialista por nós praticada, o ser humano vê-se massificado, desconhecido, com a sua identidade desnaturada, sem objetivo.
Ao invés de romper com o status preponderante , por falta de fortaleza emocional, enovela-se, envolve-se, junta-se ao modelo vigente, ao modo de viver de todos.
Acostumando-se à competição nos negócios, nos relacionamentos espera ser ao primeiro, o mais considerado. Se consegue, esvazia-se, de imediato, e parte para outra. Quando não consegue, frustra-se, perdendo-se da mesma forma.
Os conflitos se instalam e ele se desama, deixa de sentir, de viver. Transfere-se, emocionalmente, para a ribalta do desespero e da futilidade.
Este mecanismo de evasão mais o aturde, porque o desnatura, e eis que então acena, por estar chegando para assumir o seu lugar, o desânimo, o cansaço.
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É preciso assumir o caminho das realizações duradouras, que propicie bem-estar, sensação de contentamento, de plenitude, de pertencimento ao todo harmônico.
Rever, para melhor descobrir e bem compreender, o significado da nossa existência, a nossa razão de viver, saltando o abismo do vazio que nos ameaça, preenchendo as nossas lacunas emocionais com o idealismo que deflui do amor, base da plenitude humana, elegendo por afinidade de propósitos e fins uma vida saudável, rica de princípios e valores, como profundos alicerces que sustentem esse novo e virtuoso propósito vivencial.
O pensamento é qual viga mestra, viga de sustentação de qualquer ideal.
Na faixa vibratória na qual localizemos a mente, daí colheremos a correspondente energia.
Se descermos ao charco respiraremos umidade, da mesma forma que, em nos elevando à montanha, aspiraremos oxigênio puro.
Situando o pensamento nas fixações amargas quão deprimentes de acontecimentos infelizes, os vitalizaremos, trazendo-os à realidade dos dias presentes, para o nosso próprio infortúnio.
Agasalhando as ideias de sublimação pessoal, por mais se nos pareçam difíceis de conseguidas, nos acostumaremos com a possibilidade, e, de um para outro momento, estaremos vivenciando esse estado superior.
Cada criatura vive, no mundo objetivo, conforme os seus estados íntimos, mentais.
Educar o pensamento, criando os hábitos dos bons pensamentos, da elevação moral, da prece ungida e devotada, por que não?, constitui uma tarefa-desafio, que deve ser enfrentada de imediato.
A mente plasma, no campo da ideação, os desejos, que depois se transformam em realidades que passam a participar da vida, na área das formas.
Fantasmas de enfermidades inexistentes, necessidades criadas por desequilíbrios, tormentos de largo tempo, frustrações de curso afligente, decorrem da preferência mental de quem lhes experimentamos a compressão.
Ninguém consegue viver sem os hábitos que se lhes tornam “uma segunda natureza” influenciando grandemente a sua própria natureza.
Como pessoa alguma, na normalidade mental, não vive sem pensar, é claro que, não cultivando as boas, elaborará as más aspirações.
A mente responde pela vida.
O ser humano exterioriza, mentalmente, os estados em que transita, cabendo-lhe esforçar-se por modificar os quadros íntimos, crescendo em contínuo esforço na direção das metas libertadoras.
Considerando que tudo quanto empreendamos resulta negativo, alteremos o clima mental e passemos a agir com tranquilidade, aguardando os resultados melhores.
Tendo em vista as ocorrências afligentes que nos surpreendam, abramo-nos, psiquicamente, ao amor, e descortinaremos paisagens menos tristes, e, por certo, iremos sorrir nossos melhores sorrisos, nos encantaremos novamente com o azul do céu, o brilho do Sol, o tamborilar da chuva.
Se experimentamos doenças ou dissabores frequentes, vamos reagir, no campo das ideias, cultivando a saúde, e se nos renovarão os quadros orgânicos e emocionais, e voltaremos a sentir que estamos vivos e pela vida voltaremos os melhores cuidados.
Insistamos nos pensamentos positivos, como quem reconhece a existência dos espinhos na haste da roseira, porém, prefere deter-se extasiado ante a flor, embora cuidando-se daqueles.
Queixa, azedume, amargura, revolta, devemos substituir por confiança, otimismo, renovação, paciência, do que resultará a nossa paz.
Como não podemos viver sem a presença das ideias, coloquemos aquelas que nos promovam à saúde e ao bem-estar.
Respiraremos, emocionalmente, conforme o clima em que situemos os nossos programas de melhoria e agigantamento do bem-estar e de nossos valores pessoais.
Quando alguém atravessa um campo plantado de lavanda ou de qualquer outro vegetal perfumado, mesmo após vencido o espaço, continua com o aroma fixado no corpo e na pituitária, especialmente. Assim ocorre em relação às experiências em torno do despertar para a vida no seu sentido e significado mais exato quão profundo.
Mude seus pensamentos e você mudará o seu mundo, recomenda Norman Vincent Peale, pastor e escritor americano de teorias sobre o pensamento positivo. É considerado nos Estados Unidos, o ministro dos “milhões de ouvintes”, o doutor em “terapêutica espiritual”.
Ou ainda, aprendamos com Buda, o Iluminado: Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.
Desânimo? Nunca mais!
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